Tireoide: entenda seu funcionamento e possíveis distúrbios

Glândula é responsável por regular o funcionamento de órgãos como coração, cérebro, fígado e rins

Pelo menos 200 milhões de pessoas no mundo apresentam algum problema na tireoide. Por conta dos sintomas bastante comuns, as pessoas frequentemente acham que estão com outras doenças ou acabam apenas ignorando os sinais. Milhões de indivíduos, principalmente as mulheres, podem estar vivendo com distúrbios na glândula sem saber. Segundo a Thyroid Foundation of Canada (TFC), as mulheres em idade reprodutiva (20 a 40 anos) possuem de quatro a sete vezes mais chances que os homens de sofrer com distúrbios na tireoide. 

A glândula tireoide  

A tireoide é uma glândula endócrina em formato de borboleta que fica localizada no pescoço, abaixo das cordas vocais. Ela regula o funcionamento de órgãos como o coração, cérebro, fígado e rins, além de ser responsável pela produção dos hormônios Triiodotironina (T3) e Tiroxina (T4), essenciais para o crescimento e performance metabólica. Em resumo, o T4 e T3 são hormônios que promovem o trabalho das células para que o nosso corpo funcione corretamente. 

A função da tireóide é controlada por uma outra glândula localizada no cérebro, a hipófise. Ela produz o hormônio impulsor da tireoide (TSH), é ele que estimula as células produtoras de T4 e T3 na tireoide. Os distúrbios acontecem quando a tireoide passa a produzir mais ou menos hormônios que o normal. Alguns hábitos podem colaborar para o mal funcionamento da glândula, como o sedentarismo, tabagismo, consumo de carboidratos em excesso, péssima rotina de sono, alcoolismo e outros. 

Hipertireoidismo e hipotireoidismo

Quando a produção de hormônios pela tireóide sofre alterações intensas, são desencadeados dois distúrbios: nos casos de produção em excesso ocorre o hipertireoidismo e, nas situações de produção abaixo do que é necessário para funcionamento do organismo, ocorre o hipotireoidismo, a mais comum entre as doenças que afetam a glândula, principalmente nas mulheres e idosos acima de 60 anos. Ambos os distúrbios estão relacionados com fatores genéticos e apresentam tendência a se repetir entre familiares. 

O hipertireoidismo e o hipotireoidismo não são os únicos problemas causados por disfunção da tireoide. Outros distúrbios incluem a doença de Hashimoto, câncer de tireóide, bócio e etc. A maioria dos casos de câncer na glândula surgem em pessoas do sexo masculino, mas as mulheres predominam nos casos de nódulos e demais distúrbios.

Sintomas 

Tanto no hipertireoidismo quanto no hipotireoidismo, o tamanho da glândula pode aumentar, causando o surgimento de um bócio ou de bócios nodulares (um ou mais), podendo ou não serem visualizados externamente. Esses nódulos são normalmente pequenos e indolores, fazendo com que a maioria dos pacientes nem perceba a existência deles. Em alguns casos, o distúrbio surge desde o nascimento, caracterizando um bócio congênito. Os nódulos ainda podem indicar a existência do câncer de tireoide. 

As doenças da tireoide podem causar alterações no humor. O hipertireoidismo geralmente causa nervosismo e irritabilidade nos pacientes, enquanto o hipotireoidismo é capaz de causar sensação de fadiga ou depressão. Essas reações emocionais podem ser o primeiro sinal de distúrbios na glândula, por isso, é importante prestar atenção em mudanças bruscas de humor. 

Sintomas frequentes do hipotireoidismo (baixa produção dos hormônios tireoidianos): queda anormal de cabelo, enfraquecimento de unhas, ganho de peso, cansaço, alteração no ciclo menstrual, palidez, baixa libido e pálpebras caídas. Já no hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios tireoidianos) percebe-se: agitação, insônia, perda de peso, ansiedade, alteração no ciclo menstrual, irritabilidade, queda anormal de cabelo, tremores nas mãos, enfraquecimento de unhas, suor excessivo e fraqueza muscular. 

Diagnóstico e tratamento

Diante de qualquer suspeita relacionada a problemas na tireoide é extremamente importante procurar auxílio médico. Um exame de sangue consegue avaliar o nível do hormônio TSH (hormônio estimulador da tireoide) e T4, detectando qualquer alteração no organismo. Se os níveis de TSH estão aumentados e os níveis de T4 baixos, o paciente apresenta hipotireoidismo. Caso a doença de Hashimoto seja a culpada do hipotiroidismo, os exames irão detectar anticorpos que atacam a tireoide.

O diagnóstico prematuro pode, até mesmo, reduzir a incidência ou intensidade de doenças como diabetes, lúpus, problemas cardíacos, artrite e qualquer outra enfermidade relacionada à problemas na tireoide. Também são utilizados para diagnóstico os exames de imagem, para avaliar a presença e o tamanho dos nódulos na glândula, biópsias e a cintilografia da tireoide, que avalia seu funcionamento. O tratamento depende do tipo de distúrbio, podendo variar entre um simples acompanhamento clínico ou administração de reposição hormonal pelo resto da vida.

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