A Síndrome do Ninho Vazio é definida pelo sentimento de solidão que atinge os pais quando seus filhos saem de casa para conquistar o mundo sozinhos. O espaço que antes era preenchido pelas responsabilidades exigidas enquanto pais, de repente, encontra-se desocupado. A partir daquele momento, o casal, ou pessoa responsável pelo filho ausente, precisa ressignificar e reorganizar todo o sistema familiar. Na maioria das vezes, a síndrome já inicia tendo um momento definido para terminar, geralmente até uma nova rotina familiar ser estabelecida. Entretanto, pode ser estendida e tornar-se motivo de preocupação para a saúde mental de ambos os responsáveis. 

O conceito de ninho vazio

O impacto do “ninho vazio” pode variar de acordo com as particularidades ou os costumes de cada família. Em algumas partes do mundo, é esperado que os jovens saiam de casa assim que atingirem a maioridade e, por isso, os pais estão mais preparados para a separação. Contudo, algumas culturas julgam como adequado que os filhos saiam de casa apenas depois do casamento, ou, em alguns casos, que continuem morando com os pais para sempre. 

Obviamente, os pais que acreditam contar com a presença dos filhos por muitos anos vão sentir mais intensamente o abalo causado pela quebra de expectativa. A mudança não é apenas sentida na presença física do filho ou filha. As consequências são capazes de desencadear dificuldades financeiras, afetando principalmente o desempenho de papéis familiares, com a redistribuição de responsabilidades e atuações gerada. A intensidade da síndrome também vai depender da relação existente entre pais e filhos.  

Sintomas

A reação particular diante de grandes mudanças é fator determinante para o estado da saúde mental de um individuo. A casa vazia e a ausência de atividades que antes eram recorrentes, podem fazer com que os pais desenvolvam depressão, melancolia, acessos de raiva, alcoolismo, insônia ou outros distúrbios do sono. A Síndrome do Ninho Vazio torna-se perigosa na medida em que desencadeia lentamente um estado de profunda depressão, fruto da incapacidade de se adaptar a essa nova realidade. 

Pesquisas verificaram que as pessoas nessa fase apresentam menor satisfação com a vida, complicação no relacionamento com os filhos e surgimento de problemas psicológicos. Ademais, de acordo com um estudo chinês realizado em 2007, os idosos que viveram a Síndrome do Ninho Vazio tendem a desenvolver mais problemas físicos, emocionais e financeiros do que aqueles que continuaram vivendo com os filhos em casa.

Diferença no impacto entre mães e pais

As mães são, proporcionalmente, quem mais sofre com a síndrome do ninho vazio, muitas vezes pela dedicação incondicional depositada nos filhos ao longo dos anos, que agora não possui mais um foco. Elas encontram maior dificuldade para se estruturar diante dessa nova realidade, e, o momento fica ainda mais delicado quando a fase ocorre no mesmo período em que a mulher entra no processo de menopausa. 

Além disso, a síndrome frequentemente ocorre durante outro período de grande mudança: a aposentadoria, ocasionando intensas transformações em um curto espaço de tempo. A psicóloga brasileira, Adriana Sartori, garante que, apesar das mulheres sofrerem mais perante o distanciamento físico dos filhos, existem evidências de que a experiência vivida após o primeiro impacto representa uma melhora na qualidade de vida da mãe. 

Em qualquer um dos casos, o relacionamento do casal é inevitavelmente impactado. Um outro cenário envolve a recente “liberdade” da mulher, que agora pode dedicar seu tempo livre para realizar novas atividades e conquistar antigos objetivos. Segundo uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC-FMUSP), a Síndrome do Ninho Vazio é uma fase com carga emocional muito elevada que afeta homens e mulheres de maneiras diferentes.

O que fazer?

Os integrantes da família que sofrem com a Síndrome do Ninho Vazio necessitam trabalhar a compreensão acerca do momento que está sendo vivido e aceitar que a passagem de fases na vida é natural. Os pais e a mães são capazes de aprender a lidar com a saudade mais facilmente através de novas experiências, como descobrir passatempos ou colocar em prática planos antigos. Os filhos podem auxiliá-los, oferecendo apoio e tentando fazer-se presente de outras maneiras. Entretanto, é extremamente importante procurar ajuda profissional adequada caso os sintomas persistam por muito tempo. 

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