Samosely: os habitantes que vivem ilegalmente na Zona de Exclusão de Chernobyl

Aproximadamente 140 pessoas continuam morando nessas regiões radioativas

Os residentes chamados de samosely, ou self-settlers (auto-colonos em tradução livre), são centenas de pessoas que retornaram para a Zona de Exclusão da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, por conta própria -e violando as leis de restrição- após terem sido evacuados pelas autoridades locais quando o desastre aconteceu. 

Na manhã do dia 26 de abril, em 1986, o reator número quatro da Usina Nuclear de Chernobyl, responsável pela produção de parte da energia do que era então a República Socialista Soviética da Ucrânia, explodiu durante um teste de segurança. Considerado o maior desastre nuclear da história, a radiação liberada pela explosão se espalhou por quase toda a Europa em poucos dias, causando nascimentos defeituosos, mutações e câncer pelas gerações seguintes.  

A região composta pelo raio de 30 quilômetros ao redor da usina ficou conhecida como Zona de Exclusão, incluindo a cidade de Pripyat, construída para abrigar os trabalhadores de Chernobyl e familiares. Pelo menos 350.000 pessoas foram evacuadas após a explosão e orientadas a sair de casa sem levar praticamente nenhum bem pessoal. Os responsáveis pela desocupação dos moradores avisaram que eles poderiam retornar em pouco tempo para buscar seus pertences, mas isso nunca aconteceu. 

A maioria daqueles que hoje conhecemos como samosely decidiram retornar escondidos para a região um ano após o acidente. Alguns nunca chegaram a participar da evacuação. Quase todos os moradores já estão na terceira idade. A maioria sobrevive com recursos limitados e alimentos produzidos por conta própria. Eles também precisam caminhar até a cidade mais próxima quando necessitam fazer compras, pois não há sistema de transporte. 

Mesmo com o perigo da radiação, aproximadamente 150 pessoas escolheram viver ilegalmente na Zona de Exclusão, que é considerada uma das áreas mais poluídas do planeta. Contudo, existem regiões mais seguras do que se imagina. De acordo com os especialistas, o ser humano é dez vezes mais exposto à radiação durante um raio-x do que em uma visita a Chernobyl. 

O fotógrafo brasileiro, Raul Arantes, trabalhou em um projeto focado nos poucos moradores que ainda vivem em pequenas vilas da zona de exclusão. Arantes ficou uma semana na região de Chernobyl e tinha como plano inicial gravar um documentário com os samosely, mas isso acabou não acontecendo. As fotos que ele tirou em 2014 foram publicadas recentemente e mostram detalhes do cotidiano desses habitantes.

Roteiros para conhecer a área de exclusão

A curiosidade sobre a atual situação do local onde o desastre aconteceu fez diversas pessoas despertarem o desejo de conhecer Chernobyl. Desde 2010, a Zona de Exclusão está aberta para visitas. Para visitar o local, é obrigatório contratar uma das agências de turismo autorizadas pelo governo e obter uma liberação de entrada. 

Além disso, os visitantes precisam carregar constantemente um contador Geiger, instrumento usado para detectar e medir os níveis de certas radiações ionizantes. A região possui apenas um hotel e uma das opções de passeio inclui um tour guiado pela Usina Nuclear de Chernobyl.

DEIXAR RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Por favor digite seu nome