Nuvem de gafanhotos: eles mordem pessoas ou transmitem doenças?

Países da América do Sul estão enfrentando um enxame de milhões de gafanhotos

Nos últimos meses, a Argentina e o Paraguai presenciaram o trajeto de um enxame com milhões de gafanhotos que já destruiu inúmeras plantações por onde passou. Agora, essa “nuvem” de insetos pode seguir em direção ao oeste do Rio Grande do Sul. O estado fica entre a localização atual dos insetos (na Argentina), e o próximo destino, que, segundo o monitoramento argentino, é o Uruguai. 

Os gafanhotos preferem áreas rurais, mas podem invadir regiões urbanas caso seja vantajoso. Felizmente, os gafanhotos da atual proliferação não apresentam grandes riscos para a saúde humana ou de outros animais. A alimentação deles é baseada em vegetais e não são habituados a morder ou atacar humanos, porém, o indicado é se manter afastado quando há uma grande quantidade. Esses insetos também não são vetores para a transmissão de doenças.  

Consequências da nuvem de gafanhotos

O exército de gafanhotos que está nesse momento alarmando a América do Sul é da espécie Schistocerca cancellata, principal espécie de enxame na parte subtropical do continente americano. A quantidade impressionante de insetos reunidos tem a capacidade de destruir quilômetros de vegetação e afetar a lavoura agrícola. No Paraguai, eles destruíram plantações de milho e, na Argentina, os gafanhotos prejudicaram a produção de mandioca e cana-de-açúcar.  

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Diante da situação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro emitiu um alerta para que as superintendências federais de agricultura e os órgãos estaduais de defesa agropecuária, realizem medidas com o objetivo de controlar e reduzir ao máximo os estragos que eles podem ocasionar. Isso é necessário porque pequenos agricultores não conseguem lidar com os gafanhotos quando eles estão reunidos em grande quantidade. 

Formação dos enxames 

Esses insetos possuem um comportamento naturalmente solitário. Contudo, diversos fatores podem contribuir para que algumas espécies acabem formando enxames imensos, chamada de fase gregária. Normalmente, as nuvens de gafanhotos ocorrem quando alguns deles encontram locais que favorecem a reprodução. A partir disso, as gerações seguintes podem acabar se juntando e, quando atingem certa fase de crescimento, voam juntos a procura de alimento, sem orientação específica. 

Os enxames aproveitam a ajuda do vento para cruzar o caminho entre uma área de grande vegetação e outra. Um único grupo pode contar com mais de um bilhão de gafanhotos que arrasam lavouras por onde passam, devorando toda a vegetação desses locais. Eles só finalizam sua jornada quando chega o momento de acasalamento, dando origem à próxima geração. 

Ciclo de vida e consumo humano 

Os gafanhotos se alimentam majoritariamente de qualquer tipo de planta, mas grande parte deles são onívoros, ou seja, o organismo é capaz de metabolizar tanto vegetais quanto animais. A reprodução também varia entre espécies, a maioria é sexuada e ovípara, com alguns casos de partenogênese. O ciclo evolutivo, desde o nascimento até a morte, pode durar no máximo um ano. 

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O tamanho deles varia de 1,5 cm até 12 cm e suas cores, assim como outros pequenos detalhes, dependem da espécie. Receptores naturais, localizados na parte rígida que reveste o corpo desses insetos, monitoram o voo dos gafanhotos e mantém o nivelamento deles. A locomoção funciona através de saltos elevados no ar e controle da queda por meio das asas.

Algumas culturas consideram os gafanhotos uma ótima fonte de proteína, tornando as espécies comestíveis do inseto elementos comuns da dieta popular. A China, o sul do México, a Tailândia e diversos países da África, são locais onde onde parte da população aprecia o consumo de gafanhotos. Esses insetos também são alimentos de algumas aves.  

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