Mercados de animais vivos: uma questão de saúde

Nos mercados úmidos, os animais são mantidos vivos e em condições insalubres

O funcionamento dos mercados de animais vivos, também conhecidos como mercados úmidos, é uma questão que vem sendo discutida com intensidade nos últimos meses. Acredita-se que um deles é o responsável por ser o berço da pandemia causada pelo novo coronavírus. Nesses locais, os animais são mantidos vivos em gaiolas e mortos apenas no momento da compra. 

Os especialistas explicam que esse ambiente cria oportunidades perfeitas para uma cadeia de transmissão do vírus entre espécies. Nos mercados existem uma variedade enorme de animais sendo ofertados, especialmente os selvagens. Alguns são de diferentes regiões do mundo e cada um deles pode estar carregando cargas virais específicas da sua espécie. 

O maior problema são as condições precárias de higiene. São diversos animais ainda vivos, presos em gaiolas extremamente insalubres, apertadas e próximas umas das outras. Isso faz com que eles entrem em contato com os fluidos biológicos (sangue, fezes, urina, etc) uns dos outros, por onde os patógenos podem ser transmitidos. 

Quando os seres humanos se alimentam desses animais ou entram em contato com seus fluidos, tornam-se passíveis de serem infectados. O que pode acontecer em seguida é a transmissão entre humanos, dando início a um surto viral. 

Uma quantidade imensa de vírus chegaram até os humanos dessa maneira. São as doenças geradas pela zoonose. Um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirma que 70% de todas as enfermidades que surgiram desde a década de 1940 são de origem animal. É o caso de enfermidades conhecidas que já mataram milhões de pessoas, como o HIV e o Ebola.

As ONGs em prol da proteção animal são algumas das organizações que lutam há anos contra a existência desse comércio. Nas diversas campanhas produzidas, elas mencionam as condições precárias em que esses animais são obrigados a viver, afirmando que o sofrimento dos animais não é apenas durante o aprisionamento, mas também no momento da morte, quando são brutalmente assassinados. 

Como começaram os mercados de animais selvagens na China

Durante o governo do líder comunista, Mao Tse Tung, estima-se que mais de 45 milhões de chineses morreram de fome. Entre os anos de 1958 e 1962, os trabalhadores eram obrigados a ceder toda a sua produção agrícola para o estado, que não compartilhava o rendimento com o povo. Foi então que o consumo de animais selvagens entrou na dieta da população chinesa. 

O governo Chinês, após permitir a privatização da agricultura, incentivou o comércio desses animais como opção para solucionar o problema da fome no país.  Contudo, é importante lembrar que os mercados úmidos também existem em vários outros países, como a Índia e o Vietnã. 

Surgimento do novo coronavírus 

Os primeiros casos da Covid-19 ocorreram no final de 2019 e acredita-se que ela surgiu em um desses mercados, localizado na cidade de Wuhan. As primeiras pessoas infectadas tiveram como fator em comum a exposição a um mercado de animais selvagens da região. Ainda não foi descoberto qual o animal responsável por ter intermediado a passagem do vírus entre os morcegos e os humanos.  

Em 2002 o país sofreu com um surto de origem similar ao coronavírus. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS)  que matou aproximadamente xx pessoas, teve início em um mercado vivo no sul da China. Nessa época, os mercados chegaram a ser proibidos, mas alguns meses depois voltaram a funcionar normalmente. 

Atualmente, a proibição de funcionamento desses estabelecimentos foi imposta mais uma vez. na China O consumo e a venda desses animais selvagens foi banida temporariamente pelo governo chinês. As atividades que utilizam esses animais para outros meios precisa ser submetida a uma inspeção e aprovação. Diversos grupos de especialistas, residentes e organizações pedem ao governo pela proibição permanente desses mercados. 

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