Medo irracional de trabalhar? Saiba mais sobre a ergofobia

A fobia é um transtorno mental incapacitante provocado por assuntos relacionados ao trabalho

Os psicólogos utilizam o termo “ergofobia” para diagnosticar pacientes que apresentam um medo irracional e persistente dos assuntos relacionados ao trabalho. Indivíduos com essa condição sofrem de uma ansiedade tão imensa que podem acabar incapazes de ir ao local de trabalho, ou, muitas vezes, passam mal durante o expediente e precisam retornar para casa. 

Entendendo as fobias

As fobias, ou neuroses fóbicas, são transtornos mentais incapacitantes que representam aversão e temores excessivos ocasionados por situações ou objetos, mesmo que eles não possuam um risco de dano real. Praticamente qualquer coisa pode desencadear uma fobia, estes são denominados “estímulos fóbicos”. Por isso, a quantidade de fobias concebíveis é quase infinita. Quando próxima desses estímulos, mesmo apenas visualizando mentalmente, a pessoa reage com fortes crises de ansiedade e pânico.

Indivíduos com esse distúrbio habitualmente manifestam mais de uma fobia específica e o desenvolvimento delas geralmente está ligado à fatores genéticos, experiências negativas, ambiente e mudanças no funcionamento do cérebro. Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a população mais ansiosa do mundo. Pelo menos 9,3% dos brasileiros possui algum tipo de transtorno de ansiedade, incluindo as fobias. 

Como funciona a ergofobia? 

O transtorno, assim como todas as fobias, pode ser provocado de forma direta (por algum impacto emocional) ou indireta (por tomar conhecimento de algo traumatizante). Na maioria dos casos, ela é resultado de um trauma vivido no ambiente corporativo. Certas características aumentam a predisposição para desenvolvimento da doença, como o diagnóstico precedente do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), da agorafobia (medo de se relacionar com as pessoas ou sair de casa) ou da síndrome de Asperger. 

Sentir-se ansioso diante de situações complicadas no trabalho é extremamente normal, porém, quem sofre desse transtorno vivencia um sofrimento desproporcional que não consegue ser evitado, prejudicando o cotidiano e as relações pessoais. O indivíduo com ergofobia continuará sentindo os sintomas dessa condição, mesmo após modificar alguns traços na execução do seu ofício. Logo, ele irá perceber que evitar a exposição ao estímulo negativo gera sensações de bem estar e tranquilidade, fazendo-o repetir a fuga de forma cada vez mais frequente. 

Os sintomas também são persistentes e duram mais de seis meses. Nos casos mais graves, a falta de tratamento resulta na perda de emprego, abuso de substâncias químicas para lidar com as circunstâncias e até mesmo pensamentos suicidas. 

Diagnóstico e tratamento

Os sintomas da ergofobia variam de acordo com o grau do transtorno, alguns mais frequentes são: mal estar, palpitações, enjoo, sudorese intensa, diarréia e dificuldade para respirar. Trabalhadores que apresentam manifestações parecidas devem procurar ajuda profissional. Um psicólogo especialista consegue identificar a fonte do problema e adotar os métodos mais eficazes para cada necessidade. O diagnóstico precoce é muito importante, pois consegue evitar o desenvolvimento de outros problemas. 

O tratamento das fobias envolve, principalmente, abordagens medicamentosas e psicoterápicas. As modalidades terapêuticas mais comuns são a terapia de exposição (técnica que expõe o paciente à causa do transtorno para avançar na recuperação) e a terapia cognitivo-comportamental (técnica que busca identificar padrões de comportamento e modificá-los).

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