Manaus enfrenta colapso no sistema funerário

Capital não tem caixões para os mais de 100 enterros diários

O Brasil chegou ao número de 5.466 óbitos por Covid-19. Só no estado do Amazonas já são 4.800 infectados e 380 mortos. Manaus foi a primeira cidade da Região Norte a registrar um caso da doença e, hoje, ao chegar em 3.091 pessoas infectadas, sofre com a falta de serviços que não conseguem dar conta da alta demanda.

A capital do Amazonas está tendo uma média de 100 sepultamentos por dia há uma semana, no último domingo foram 140. Normalmente, a média da cidade não passava de 30. Uma projeção divulgada pela prefeitura revela que o número total de enterros pode chegar a 4,2 mil no mês de maio. O Sindicato das Empresas Funerárias do Estado (Sefeam) alertou que o estoque de caixões não vai aguentar a demanda caso o número de óbitos continue nessa média.  

O cemitério público Nossa Senhora Aparecida é o único com capacidade para receber novas urnas. Nele, foram instalados contêineres frigoríficos para comportar os caixões e liberar os carros funerários, possibilitando o atendimento de outras demandas. Recentemente, uma família precisou enterrar seu familiar por conta própria pela falta de coveiros, mas antes tiveram que procurar o corpo por três dias nas câmaras frigoríficas. 

Como alternativa, a cidade fechou uma parceria com um dos crematórios locais e diversas equipes do cemitério estão tentando convencer as pessoas a optar pela cremação de seus familiares falecidos. Os cartórios também precisaram entrar no regime de plantão para lidar com a alta demanda pelo serviço de registro de óbito. Sem a certidão de óbito, emitida no ato pelos Cartórios de Registro Civil de Manaus, os sepultamentos não são realizados. 

Na última segunda-feira (27), o prefeito anunciou que iria precisar empilhar os caixões em valas mais profundas. A população respondeu com revolta e a prefeitura cancelou o sepultamento em camadas no dia seguinte. O método voltou a seguir o esquema de trincheiras em valas comuns, onde são realizados por vez cinco sepultamentos com os caixões alinhados. 

Crise no sistema de saúde

Na rede pública de saúde do estado, a taxa de ocupação de leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) já passa de 96%. A falta de vagas fez pacientes passarem a noite dentro de ambulâncias enquanto aguardavam por leitos nos hospitais da rede pública. 

A Secretária de Estado de Saúde (Susam) confirmou, no dia 16 deste mês, a veracidade de um vídeo mostrando 14 corpos de pacientes com suspeita de Covid-19 no Hospital Pronto Socorro João Lúcio, em Manaus. Eles estavam na mesma sala que os pacientes internados. Após a repercussão das imagens, um container frigorífico foi instalado no hospital.  

O problema é também o número insuficiente de profissionais de saúde. De acordo com a secretária de saúde, a falta de recursos humanos é a maior dificuldade na corrida pelo aumento de leitos. Uma equipe do Hospital Sírio-Libanês foi enviada para ajudar na demanda, e as universidades de Manaus anteciparam as formaturas de estudantes de medicina para que eles possam reforçar o atendimento nos hospitais. 

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