Lixo eleitoral ainda é realidade em 2020, mas exemplos positivos podem ser observados

Enquanto alguns candidatos contribuem para a poluição durante o período de campanha, outros fazem questão de tornarem-se bons exemplos

A presença da sujeira produzida pelos candidatos e suas equipes durante o período eleitoral já é corriqueira para os brasileiros, repetindo-se em todas as eleições, incluindo a que estamos vivendo atualmente e segue até a votação do primeiro turno, dia 15 de novembro (se houver um segundo turno, será realizado dia 29 de novembro). Desde o dia 27 de setembro, o cenário é o mesmo por todo o país: candidatos realizando diversos eventos pelas cidades, com o objetivo de mobilizar apoiadores políticos e conquistar novos eleitores. 

No decorrer destas atividades, uma imensa quantidade de lixo é produzida. Além dos resíduos sólidos, também são observados os casos de poluição sonora e visual. É comum a presença de imensas caixas de som reproduzindo jingles ou discursos dos candidatos por horas ininterruptas, frequentemente em um volume muito superior ao que é permitido pela lei. 

Atividades possuem regulamentação

As propagandas eleitorais seguem as normas estabelecidas na Resolução TSE nº 23.610. Os comícios e atividades similares em vias públicas são permitidos, desde que não atrapalhem o fluxo de automóveis e pessoas. A distribuição dos “santinhos” – panfletos contendo as informações do candidato e distribuídos em enormes quantidades – é consentida, mas o despejo do material em grandes quantidades nas ruas é ilegal. Esses papéis, adesivos ou outros impressos, são quase sempre desperdiçados e acabam poluindo as cidades. 

Ainda de acordo com as normas estabelecidas, a panfletagem e a circulação dos carros de som são permitidas apenas até um dia antes da eleição. Os alto falantes, ou qualquer propagando sonora, são liberados entre 8 horas da manhã e 10 da noite, com um limite de 80 decibéis (acima disso, as ondas sonoras tornam-se prejudiciais para a audição). Os aparelhos também devem estar a uma distância mínima de 200 metros dos estabelecimentos como sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quartéis militares, hospitais, escolas, igrejas ou bibliotecas. 

No dia da votação, estão proibidos: impulsionamentos ou postagens online, aparelhos de som divulgando jingles ou práticas similares. As atividades envolvendo propagandas eleitorais que forem realizadas de maneira imprópria ou fora do período de campanha, reverterão em penalizações, sendo este um dos maiores motivos para judicialização dos pleitos e cassação de diplomas e mandatos.

Exemplos que fazem a diferença

Um cenário diferente é observado em Igarapé-Açu, no estado do Pará. O município, localizado a cerca de 120 quilômetros da capital Belém, também vive o momento de polvorosa causado pelas campanhas eleitorais. Contudo, uma das opções entre os 7 candidatos à prefeitura da cidade, manteve a preocupação com a limpeza ambiental uma prioridade.    

Todo o lixo eleitoral produzido durante os comícios da candidata Sandra Uesugi (MDB), é coletado por uma equipe de limpeza específica para a iniciativa. Uesugi, que é a única mulher concorrendo ao cargo de prefeita da cidade, tornou-se conhecida por seu engajamento com a causa ambiental. A candidata e seu vice, João Bosco Medeiros (PSD), preocupam-se em garantir a higienização dos espaços onde realizam eventos e reuniões de campanha.

Integrante voluntário da coleta de lixo

Posteriormente a cada evento, cerca de 15 a 20 pessoas participam voluntariamente da coleta de lixo, sendo conhecidos pela equipe de campanha como “formiguinhas”. O destino do material coletado é a Central de Valorização de Resíduos de Igarapé-Açu (CVRIga), responsável por realizar a coleta seletiva do município e a reciclagem do conteúdo. Além disso, a campanha da candidata Uesugi utiliza a menor quantidade possível de materiais impressos. 

Os participantes orgulham-se em contribuir com a iniciativa. “Acredito que isso representa o movimento dos bons políticos, além de ser um grande exemplo de educação ambiental”, explica o professor Edmar Dija, um dos organizadores da ação. “Nós usamos o local e fazemos questão de deixar ele limpo, conforme foi encontrado”, conclui o integrante da equipe de limpeza.

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