As mulheres sofrem mudanças físicas e mentais profundas durante a gravidez. Contudo, alguns parceiros que estão perto da paternidade também podem apresentar determinados sintomas psicológicos e corporais parecidos. Os homens que sentem-se “grávidos” relatam experiências que envolvem enjoos matinais, alterações emocionais, desejo de comidas específicas, ganho de peso, além de outras mudanças físicas, durante a fase gestacional e puerpério. 

Síndrome de Couvade 

As manifestações possuem um termo científico: síndrome de Couvade, também conhecida como “gravidez empática”. A expressão vem da palavra francesa “couver”, que em tradução literal significa incubar ou chocar. Nesse contexto, a condição é um conjunto de características similares às experiências da gestante, que podem ser vividas por seus maridos ou pessoas próximas. Trata-se do organismo masculino expressando os estímulos mentais através de modificações no corpo. 

O pesquisador e psiquiatra, William Trethowan, validou a existência da síndrome por meio de um estudo que acompanhou as reações de futuros pais durante a gestação das parceiras. Trethowan percebeu que os companheiros de mulheres grávidas também sentiam alguns sintomas e, segundo a pesquisa controlada que foi realizada pelo médico, essa teoria foi confirmada. A síndrome não é considerada uma doença de fato e nunca foi classificada como um transtorno mental. Além disso, apesar de poder manifestar-se em qualquer fase da gestação, a maior parte dos homens que sofrem com a síndrome de Couvade relatam o desaparecimento dos sintomas logo após o parto. 

As ocorrências são variadas e quase sempre causadas pelos receios em relação a paternidade. Alguns homens até mesmo afirmam terem sido capazes de sentir as contrações do parto. Segundo uma pesquisa da psicóloga Andréa de Martini, 53% dos homens brasileiros passam por mudanças físicas nesse período. Existem ainda situações onde os maridos chegaram a engordar mais do que as parceiras gestantes.

Preocupações comuns 

Diante da pressão crescente que é estar cada vez mais perto de ser responsável por uma nova vida, não é incomum isso acabar exteriorizado em sensações que podem ser parecidas com os efeitos da gravidez. Até o momento não existe uma explicação definitiva sobre o que pode causar a síndrome de Couvade, mas diversas hipóteses foram levantadas. 

A falta de orientação enfrentada pelos homens acerca do que deve ser feito durante esses nove meses é uma das possibilidades. As atividades que deveriam incluir ambos progenitores são, muitas vezes, encaradas com o estigma da exclusividade feminina, depositando ainda mais exigência nas mães e deixando os pais sem direcionamento. Por outro lado, os homens enfrentam um enorme peso social de prover e proteger o lar sozinhos.

Outras teorias sobre a origem da síndrome sugerem que a resposta masculina é fruto inconsciente da vontade de participar mais efetivamente do momento, ou, receio de que algo pode acontecer com a mãe ou o com a criança. Assim como, até mesmo um efeito causado pelo medo de que o amor das parceiras diminua com a chegada do bebê, podendo resultar em episódios de depressão e ansiedade.

Tratamento

A síndrome normalmente não representa grandes problemas para os futuros papais. Por isso, não existe um tratamento específico para ela. Normalmente, apenas conversar sobre as aflições com a parceira ou pessoas experientes é o bastante para amenizar a sentimentos. As 40 semanas que precedem o nascimento de um filho são um dos momentos mais intensos da vida humana, por isso, especialistas indicam compartilhar os receios com amigos para aliviar um pouco das sobrecargas. No entanto, caso os sintomas sejam intensos e recorrentes o bastante para comprometer o dia a dia ou atrapalhar relacionamentos sociais, o indicado é procurar ajuda especializada e consultar um psicólogo. 

O ideal é que, independente de apresentar sintomas da Síndrome de Couvade ou não, os futuros pais participem profundamente desse período com as parceiras, acompanhando consultas pré-natais, comparecendo em aulas ou atividades preparatórias, decidindo em conjunto sobre as coisas do bebê, entre outras formas. Lembre-se que preocupação, ansiedade ou medo são sentimentos comuns diante de grandes mudanças. 

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