O Dia do Idoso, comemorado no dia 1 de outubro, foi estabelecido para incentivar discussões acerca da qualidade de vida dos idosos no Brasil. A data, instituída em 1991 pela Organização das Nações Unidas (UN), chama atenção para os requisitos da população global na terceira idade e reforça a reflexão dos desafios causados pelo envelhecimento enquanto desafio mundial.   

No Brasil, existem atualmente 29,3 milhões de idosos, representando uma parcela de 14,3% da população. Segundo o Ministério da Saúde, o número de pessoas acima dos 60 anos no mundo deve triplicar e alcançar a marca de dois bilhões em 2050. Trata-se de uma nova realidade demográfica que requer políticas públicas e incentivos específicos. 

Processo de envelhecimento da população

O processo de envelhecimento é resultado de uma mudança comportamental da população, onde é necessário que ocorra a queda na taxa de fertilidade (resultando na diminuição do número de jovens) e uma redução na taxa de mortalidade. Quando ambas as taxas permanecem baixas por um certo período, observa-se a elevação na quantidade de pessoas idosas em determinados locais. 

Estudos divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que até 2060, o Brasil vai chegar ao número de 58,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Isto significa que 1 em cada 4 brasileiros estará na terceira idade. Os dados do instituto também preveem que as regiões Sul e Sudeste irão sentir primeiro os efeitos dessa transição, mas a redução nos nascimentos já é percebida em todos os estados. Inclusive, a proporção de pessoas na faixa etária acima dos 80 anos também entrou em ritmo de aumento.

A inversão na pirâmide etária ocorre, na maioria das vezes, como resultado da melhora nas condições de vida populacional, além de fatores como maior conscientização, substituição de hábitos ruins, avanço da medicina e outros. O Brasil encontra-se no meio desse processo de envelhecimento, que, nos próximos anos, deve continuar se intensificando e, conforme a população idosa aumenta, os desafios seguem pelo mesmo caminho. Porém, agravados diante da realidade onde os idosos não são prioridade.   

Impactos na sociedade

O contexto de envelhecimento da população influencia, a médio prazo, toda a coletividade brasileira. As necessidades específicas dessa categoria precisam ser verificadas e trabalhadas, da mesma forma que a sociedade como um todo precisa aprender a conviver harmoniosamente com a população idosa. Na hipótese onde determinadas providências não ocorrem, o cenário pode tornar-se uma dura disputa por recursos que já são escassos.

Na saúde, os especialistas acreditam que a melhor opção é a medicina preventiva, que promove uma mudança de comportamentos e adoção de um estilo de vida mais saudável. Dessa forma, é possível prevenir o surgimento de doenças, e, quando o envelhecimento acontece de forma positiva, as pessoas acabam vivendo com qualidade. 

Os efeitos também são observados na organização familiar, que tem sua estrutura modificada dependendo da presença ou não de um idoso em sua estrutura. Existe uma dependência da aposentadoria, não apenas pelo indivíduo idoso, mas também como elemento crucial de contribuição para a renda de famílias inteiras. Ademais, o idoso pode também conciliar o rendimento da aposentadoria com o salário de outros serviços. 

Portanto, nesta nova realidade, é essencial efetuar investimentos públicos que estejam voltados para a terceira idade, como a criação de espaços próprios, estímulo de hábitos benéficos, ações sociais e planejamentos específicos para os idosos, que estejam focados no bem-estar. Além disso, é criada uma demanda pela formação de profissionais voltados para compreensão e auxílio nas dificuldades apresentadas pelos idosos.

USP é responsável pelo maior banco de DNA de idosos da América Latina

Diversos pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), estudaram, durante a última década, o sequenciamento do material genético de 1.171 idosos paulistas. Todos os participantes deveriam estar acima dos 60 anos, onde alguns dos centenários até superaram a Covid-19. A pesquisa torna-se especialmente importante levando em consideração o aumento da população idosa no mundo todo: até 2030, o número de idosos no Brasil será maior que o de adolescentes.

A pesquisa tem como finalidade entender a fundo como ocorre o processo de envelhecimento, assim como auxiliar no diagnóstico de doenças e contribuir no desenvolvimento e modernização de procedimentos médicos. Para isso, os cientistas focaram na análise de indivíduos saudáveis com idade acima de 90 ou 100 anos, para entender como as células mantiveram-se preservadas por todos esses anos. 

Os pacientes estudados possuíam em média 71 anos e o grupo incluiu indivíduos de níveis socioeconômicos variados. Trata-se do maior estudo do tipo já realizado na América Latina e os dados obtidos (mais de 76 milhões de variantes genéticas) estão disponíveis para consulta online. Os resultados podem auxiliar nos atendimentos, criando a possibilidade de oferecer tratamentos personalizados de acordo com o código genético.

DEIXAR RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Por favor digite seu nome