Entenda o uso de tomografias para diagnosticar a Covid-19

Técnica tem sido usada como alternativa para a falta de testes

A pandemia causada pelo novo coronavírus já levou a óbito 321.459 pessoas ao redor mundo, de acordo com o mapa rastreador da Universidade Jonhs Hopkins. Nesse cenário, o diagnóstico precoce é extremamente importante para evitar que esse número continue aumentando. 

Uma das ferramentas para isso são as tomografias computadorizadas de tórax das pessoas com suspeita de Covid-19, pois apresentam características específicas da doença. Geralmente, são manchas não transparentes no pulmão que indicam a existência de uma pneumonia viral, responsáveis por causar uma danificação das células que revestem os alvéolos. 

Um estudo realizado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) conclui que a tomografia pode ser uma aliada, mas não serve como teste diagnóstico e não deve ser usada isoladamente. A pesquisa afirma que a taxa de sensibilidade e especificidade estão entre 90% e 85%, respectivamente, para o diagnóstico de Covid-19.

Como os exames conhecidos como RT-PCR podem demorar mais de dois dias para apresentar um diagnóstico, a tomografia é a forma mais rápida de antecipar um possível resultado. Assim, caso apresente outros sintomas de Covid-19, o paciente já passa a receber os tratamentos específicos da doença. Por isso, a tomografia computadorizada funciona como sistema de triagem. 

Contudo, a falta de testes e a sobrecarga nos hospitais no Brasil tornou essencial a tomografia de pacientes suspeitos da doença. O país possui quase 5 mil tomógrafos computadorizados funcionando. Infelizmente, apenas 6% estão na região Norte. As informações são do Cadastro Nacional dos Estabelecimento de Saúde do Brasil (CNES)

Banco de imagens auxilia na identificação de presença do vírus 

O Hospital das Clínicas, em São Paulo, está utilizando uma plataforma com imagens de tomografias e radiografias na tentativa de encontrar padrões da doença e analisar os quadros de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. Com isso, a instituição espera fazer associações entre quadros radiológicos e condições clínicas e laboratoriais.

A plataforma chamada de RadVid19 reúne dados de todo o país no banco de imagens e funciona com inteligência artificial. O objetivo é garantir uma identificação mais rápida dos casos suspeitos da doença. De acordo com o hospital, quando a plataforma atingir uma quantidade suficiente de imagens enviadas, o algoritmo, por meio da IA, passará a avaliar as tomografias em poucos segundos. Ela também irá sinalizar o radiologista em caso de suspeita e oferecer um pré-laudo ao paciente. 

O hospital é referência no tratamento nos casos graves da Covid-19 que, até o momento, já soma 262 mil infectados e 17.509 óbitos pelo novo coronavírus no país. O Brasil alcançou a terceira posição mundial dos locais com as maiores quantidade de casos, porém, é um dos que menos testou a população.

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