Efeitos da bebida alcoólica no cérebro

Não existe nível seguro para o consumo de álcool, segundo a OMS

É difícil prever o que acontece na nossa cabeça quando bebemos. Isso porque o nosso Sistema Nervoso Central (SNC) pode responder de maneiras totalmente aleatórias ao consumo de bebidas alcoólicas, variando de pessoa para pessoa. O álcool também afeta diversos órgãos importantes e, em alguns casos, os estragos podem ser irreversíveis. 

Nossa corrente sanguínea consegue transportar facilmente a molécula do etanol por todo o organismo. Esse é o tipo de álcool presente na maioria das bebidas, agindo com rapidez em razão do seu pequeno tamanho e alta solubilidade em água. O caminho das moléculas de álcool no nosso corpo após a ingestão é surpreendentemente rápido.  

Após o consumo de bebidas alcoólicas, o estômago e intestinos absorvem a substância, que, em seguida, é distribuída pela corrente sanguínea para vários órgãos. Aproximadamente 90% do que foi ingerido é metabolizado no fígado e dividido em outras substâncias. A eliminação do resto é feita através da urina e da transpiração.

A atividade do cérebro é alterada como resultado das interações do álcool com os neurotransmissores, moléculas encarregadas pela comunicação entre as células. Existem dois grupos de neurotransmissores, os excitatórios (estimulam as atividades do cérebro) e os inibitórios (inibem essas atividades). As alterações de comportamento são causadas pelo aumento da liberação de certos neurotransmissores inibitórios, como o ácido gama-aminobutírico, e de neurotransmissores excitatórios, como o glutamato. 

Alterações no comportamento 

Grande parte dos efeitos psíquicos provocados pelo álcool são bem conhecidos: as pessoas costumam ficar mais relaxadas, corajosas e menos tímidas. A cervejinha ou drink do fim de semana também aumenta a liberação de serotonina, famoso neurotransmissor que regula o prazer e o humor, assim como a euforia. 

Infelizmente, o álcool em excesso pode acabar afetando a funcionalidade de outros sistemas do cérebro. Nesses casos, o relaxamento e prazer transformam-se em agressividade, exposição moral, falta de julgamento crítico, dificuldade nas funções motoras, entre outros. O efeito da bebida no sistema nervoso vai se intensificando conforme as medidas consumidas, por menor que seja o teor alcoólico. 

Consequências físicas e psicológicas a longo prazo 

Vários fatores influenciam como e com que intensidade os prejuízos do álcool serão sentidos pelo corpo humano, como, por exemplo, a frequência do consumo, idade, condição geral de saúde, genética, histórico de alcoolismo na família e com quantos a ingestão alcoólica iniciou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que não existe uma quantidade de doses alcoólicas seguras para consumo.

Os riscos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas são altos e as consequências graves. Na lista está o desenvolvimento de cirrose, diabetes, doenças autoimunes, depressão e dependência. O cérebro humano é todo revestido de tecido adiposo e as moléculas do álcool têm uma grande capacidade destrutiva sobre ele. As lesões geradas nessa região são capazes de alterar permanentemente a bioquímica e as interações entre os neurotransmissores.

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