Dia Nacional do Surdo: saiba como identificar e prevenir o problema

Mais de 1 bilhão de pessoas correm o risco de adquirir problemas de audição nas próximas décadas

De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda, pelo menos 5% da população brasileira possui deficiência auditiva, ou seja, aproximadamente 10,7 milhões de brasileiros (destes, 2,3 milhões têm deficiência severa). E o número ainda é capaz de crescer muito: 1 bilhão de pessoas corre o risco de adquirir problemas de audição nas próximas décadas, conforme prognósticos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante disso, torna-se essencial promover o diálogo sobre o assunto e cobrar políticas públicas e leis que garantem direitos para proporcionar inclusão dos

O Dia Nacional do Surdo é celebrado na dia 26 de setembro, como homenagem à fundação da primeira escola de surdos do Brasil, em 1857, inicialmente chamada de Imperial Instituto de Surdos Mudos e hoje conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES. A data foi oficializada pelo decreto de lei nº 11.796 em 29 de outubro de 2008. Atualmente, o INES busca garantir o completo desenvolvimento da pessoa surda.

Compreendendo a surdez

Segundo o Ministério da Saúde, surdez é o nome dado à impossibilidade ou dificuldade de ouvir. A surdez pode ser provocada por diferentes fatores e se manifestar em quatro tipos: ligeira (perda auditiva de 20 a 40 db), leve dificuldade em ouvir certos elementos fonéticos; média (perda auditiva 40 a 70 db); severa (perda auditiva 70 a 90 db); profunda (perda superior a 90 db); e cofose (perdas superiores a 120 db), que é a ausência completa da percepção de sons. 

A surdez de condução afeta o ouvido externo ou médio, já a surdez de percepção ocorre no nervo auditivo ou na cóclea. Ambos os tipos podem ser uni ou bilateral, parcial ou total, progressiva ou súbita e iniciar em diferentes momentos ao longo da vida. Quando o indivíduo nasce surdo, trata-se de um caso de surdez congênita, quando a causa é genética, trata-se de surdez hereditária, e, quando o problema é adquirido no útero, classifica-se como surdez adquirida no útero. Dentre os surdos no Brasil, em média, a deficiência auditiva atinge 54% de homens e 46% de mulheres.

Prevenção e sintomas

A surdez adquirida no útero pode ser resultado de hereditariedade, viroses maternas durante a gravidez, como rubéola ou sarampo, e ingestão de substâncias tóxicas pela gestante. A deficiência auditiva, quando adquirida posteriormente, pode ser decorrência de doenças circulatórias, exposição a sons muito altos, tumores, degeneração das células auditivas, entre outros.

Para prevenir a perda auditiva, os cuidados devem ser iniciados quando o bebê ainda encontra-se no útero, por meio de exames e acompanhamento médico. Nas pessoas da terceira idade, a perda da audição ocorre como consequência dos desgastes naturais do envelhecimento. De maneira geral, é importante tomar cuidado com o volume dos fones de ouvido, acúmulo de cera, uso incorreto de hastes flexíveis e qualquer incômodo na região do aparelho auditivo.

As pessoas que sofrem de alguma perda auditiva leve, frequentemente possuem dificuldade para perceber o que está ocorrendo. Os especialistas indicam procurar um médico assim que a compreensão do que está ouvindo parece prejudicada. A OMS dispôs – na App Store e no Google Play – um aplicativo gratuito chamado hearWHO, com o objetivo de ajudar na detecção precoce de perdas auditivas, principalmente das pessoas que passam longos períodos expostos a estímulos sonoros de alta intensidade. 

Linguagem de sinais 

O surgimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) teve como base a combinação da Língua Francesa de Sinais e alguns dos gestos mais utilizados pelos surdos brasileiros. A Libras foi reconhecida nacionalmente no ano de 2002, através da lei nº 10.436 e do Decreto nº 5.626/2005. Diante disso, a Língua Brasileira de Sinais passou a ser reconhecida como segunda língua nacional e seu ensino na formação de professores tornou-se obrigatório, assim como a presença de um intérprete de libras nos órgãos públicos. 

Uma das maiores dúvidas envolvendo o idioma é: a língua de sinais é universal? A resposta é Não, cada país possui sua forma de comunicação através de sinais. Inclusive, o correto é referir-se à Libras como língua e não linguagem, já que ela possui estrutura e regras próprias. A maioria dos surdos é, primeiramente, alfabetizado em Libras – e isso pode fazer com que eles algumas vezes confundam-se em relação ao português.

Inclusão dos surdos na sociedade 

A inclusão das pessoas surdas acaba sendo mais complexa quando consideramos que é uma deficiência impossível de ser observada externamente. Além disso, eles comunicam-se através de uma outra língua. A sensação é similar ao de um estrangeiro, já que, ao contrário das pessoas com outras deficiências – que utilizam a língua portuguesa – os surdos dependem da Libras para comunicação. 

Tudo isso acaba limitando a inclusão dos surdos, seja em atividades simples, como as relações cotidiano, ou na vida profissional, área onde o preconceito pode ser sentido com mais intensidade. Por isso, a conscientização é indispensável para que, principalmente, as pessoas entendam que a condição não diminui de forma alguma a capacidade do indivíduo.

Atualmente, existem aplicativos capazes de realizar a tradução de textos online para Libras e também facilitar a comunicação ao vivo entre pessoas. Um deles é o Hand Talk, que traduz automaticamente textos e áudios para a Língua Brasileira de Sinais utilizando inteligência artificial. O aplicativo também dispõe de aulas para quem desejar aprender Libras ou exercitar o vocabulário, além de um dicionário completo com sinais para ser consultado a qualquer momento. 

No estado do Amazonas, um bosque localizado na capital Manaus ganhou seu próprio roteiro turístico inclusivo especialmente voltado para pessoas surdas. O projeto foi desenvolvido pelo curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e torna a visita aos atrativos turísticos do Bosque da Ciência, que pertence ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), autoguiada. 

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