Coronavírus pode ser enfraquecido pelo calor do sol, afirma estudo

Segundo a pesquisa, a luz do sol ao meio-dia é suficiente para inativar 90% da carga viral

Um estudo norte-americano indica que o calor do sol é capaz de eliminar 90 por cento ou mais da carga viral do coronavírus nas superfícies em apenas 34 minutos. Os cientistas acreditam que os horários de luz solar mais forte (por volta de meio dia), tanto no verão dos Estados Unidos quanto no resto do mundo, conseguem inativar a presença do SARS-CoV-2 que tenha sido expelido sobre alguma superfície.

O artigo científico, publicado na revista Photochemistry and Photobiology no início de junho, passou pela revisão de pares (quando profissionais da mesma área de conhecimento analisam a validade do conteúdo apresentado). Jose-Luis Sagripanti e David Lytle, pesquisadores que conduziram o estudo, descobriram que o período de maior contágio do vírus ocorre entre dezembro e março do Hemisfério Norte, quando as temperaturas estão mais baixas. Nesses casos, o novo coronavírus sobrevive nas superfícies por dois dias ou mais. 

A dupla de cientistas utilizou o mesmo modelo de análise que estimou o enfraquecimento pela luz solar de outros vírus, como Ebola e Lassa. Foram examinados em laboratório os dados sobre a capacidade de destruição dos raios UV em várias cidades do planeta, durante períodos do ano diferentes. 

De acordo com o estudo, as medidas de isolamento adotadas para conter a transmissão do vírus podem ter sido prejudiciais. Pessoas saudáveis recebendo luz solar em espaços abertos, como parques ou praças, poderiam ter sido expostas a doses virais mais baixas e tido uma resposta imunológica mais eficiente. Além disso, é possível que o confinamento tenha facilitado a transmissão entre familiares. 

Alertas da OMS e cientistas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou no início do mês que desconhece a origem das mudanças de comportamento do novo coronavírus em diferentes temperaturas. Mike Ryan, diretor dos programas de emergência da organização, afirmou que o vírus é imprevisível e diz não acreditar na possibilidade de que o calor seja capaz de suavizá-lo. 

Outros especialistas afirmam que a quantidade de raios UV necessária para matar o vírus não é segura para humanos. Eles admitem que o calor de verão pode atrasar a transmissão do vírus, mas não consegue erradicar a pandemia. A confirmação do argumento seria o crescente ritmo de contágio observado nos países do Hemisfério Sul, que atualmente já registram altas temperaturas.

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