Coronavírus: perda de olfato pode estar relacionada com depressão

Estudo levanta hipótese de que o vírus chega até o cérebro através do trato olfativo das pessoas infectadas

Os sintomas mais comuns da doença causada pelo novo coronavírus são falta de ar, febre e tosse seca. Contudo, diversos pacientes também apresentaram casos de ansiedade e depressão. De acordo com um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati (UC), nos Estados Unidos, as consequências da Covid-19 na saúde mental são sinais de um possível ataque do SARS-CoV-2 ao sistema nervoso central. 

Ao que parece, o vírus pode estar utilizando o trato olfativo das pessoas infectadas para chegar até o cérebro, logo, estando associado com a perda de paladar e olfato ocasionados pela doença. O médico Ahmad Sedaghat, especialista em rinologia na UC e líder da pesquisa, considera a chance de que o coronavírus é responsável por acarretar estes distúrbios psicológicos. 

Início da análise

O pesquisador notou que as pessoas doentes começaram a mencionar o sintoma de perda dos sentidos (distúrbio também conhecido como anosmia) ainda no início da infecção, viabilizando uma nova alternativa de triagem para identificar prováveis casos e isolá-los. Sedaghat passou a analisar essa probabilidade após chegar aos resultados de um estudo por telefone que questionava se os pacientes com Covid-19 haviam manifestado episódios de ansiedade e depressão. Os infectados com sintomas de perda de olfato e paladar foram os que mais relataram a presença de perturbações psicológicas. 

Dr. Ahmad Sedaghat | Fonte: University Of Cincinnati

Além disso, existem evidências de que outros vírus da família corona, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS) – causadora do surto ocorrido em 2003 que similarmente surgiu na China – têm o potencial de atingir o cérebro. Pesquisas utilizando ratos identificaram que o vírus consegue penetrar no cérebro quando inoculado por via intranasal.

Desenvolvimento da pesquisa

O estudo analisou as características e sintomas de 114 pacientes com a infecção em sua fase ativa atendidos no Kantonsspital Aarau, localizado na Suíça, durante um período de seis semanas. Dentre eles, 47% responderam que x vários dias por semana sentindo-se depressivos, com 21% afirmando que estiveram depressivos quase todos os dias. Sobre a ansiedade, 45% alegaram sentir ansiedade leve e 10,5% notaram sensações de ansiedade severa. O último questionário realizado pelo médico está disponível na plataforma online do periódico The Laryngoscope.

Contudo, não é possível tirar conclusões antes de mais pesquisas. Sedaghat afirma estar ciente de que o estudo produz mais dúvidas do que respostas, mas chama atenção para os benefícios gerados. “Essa pesquisa fornece mais informações sobre o funcionamento da doença”, explica. O médico acredita que as análises produzidas proporcionam a origem de outras observações sobre a doença.

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