Junto com o crescimento no número de casos do novo coronavírus no mundo, houve a viralização de informações falsas sobre possíveis curas e remédios milagrosos. Recentemente, algumas pesquisas apontando a cloroquina e a hidroxicloroquina como “armas” contra o Covid-19, foram compartilhadas em massa e levaram uma grande parcela do população a procurar por esses medicamentos. O desabastecimento dessas substâncias nas farmácias causou desespero em quem precisa dessa medicação para sobreviver. 

O vice-presidente do Sindicato das Farmácias do Pará, André Eluan, chama atenção para o fato de que ainda não existem evidências científicas suficientes para afirmar que a cloroquina será eficaz no tratamento do Covid-19, mas afirma que a combinação de cloroquina e azitromicina é promissora. “A universidade de Stanford fez um estudo com 40 pacientes usando essa associação de substâncias e todos tiveram sucesso”, assegura.

Porém, Eluan garante que essa medicação só é eficiente em casos graves que já estejam no âmbito hospitalar. “Ela não tem nenhum efeito preventivo contra o Covid-19, apenas o de desabastecimento e risco para os que realmente precisam”, garante o farmacêutico. A hidroxicloroquina é um medicamento que só deve ser usado com orientação médica, pois possui efeitos colaterais diversos, como o descolamento da retina e alterações do batimento cardíaco. 

O problema está na forma com que essas informações foram divulgadas. “As pessoas compartilharam sem nenhum tipo de filtro, por isso houve uma corrida para a compra e armazenamento do produto pelos consumidores”, revela o farmacêutico. “Isso fez com que as pessoas que realmente precisam desse medicamento para uso contínuo ficassem em risco”, acrescenta. 

Woman pharmacist holding prescription medicine from doctor order

Fabrício Almeida utilizou as redes sociais para chamar a atenção do poder público. A mãe do estudante de administração é portadora de uma doença autoimune e, como resultado das recentes fake news, não conseguiu mais encontrar o reuquinol, remédio a base de hidroxicloroquina necessário para sua sobrevivência. “Foi necessário entrar em contato com a médica dela para conseguirmos uma receita. Quem precisa do remédio pode pegar 2 caixas por CPF e 60 cápsulas manipuladas, isso rende por mais ou menos 4 meses”, explica Fabrício. “Eu precisei assinar 3 papéis na farmácia em que nós encontramos o medicamento”, afirma. 

As doenças autoimunes são doenças onde o sistema imunológico do corpo ataca as próprias células, podendo destruir elementos saudáveis de praticamente qualquer parte do organismo. Mônica Barra também vive com uma doença autoimune, ela foi diagnosticada com dermatomiosite em 2013 e precisa fazer uso da hidroxicloroquina. “Antes mesmo da divulgação em massa dessas notícias, eu já vinha ouvindo reclamação da falta do medicamento nos grupos de WhatsApp que participo de pessoas na mesma condição”, revela Mônica. “Essa situação gerou pânico entre os pacientes que dependem do medicamento para viver”.

Para os pacientes que usam continuamente esse produto é indicado procurar um médico com a finalidade de receber uma nova receita, pois a Anvisa modificou o status da cloroquina e da hidroxicloroquina para medicamento de controle especial, aumentando as restrições para a venda dessas medicações.

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