Casos de depressão sobem 90% no Brasil durante a pandemia

De acordo com estudo da UERJ, os casos de estresse e ansiedade também dobraram

Os primeiros sinais dos impactos psicológicos causados pelo isolamento social e pelos questionamentos em relação ao novo coronavírus já começaram a ser sentidos pelos brasileiros. Um estudo produzido por pesquisadores do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ), e publicado online na plataforma científica The Lancet concluiu que a ansiedade e estresse mais que dobraram durante esse período de pandemia.

Alberto Figueira, através do Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Esportiva (LaNCE), coordenou a pesquisa sobre o comportamento mental dos brasileiros durante a quarentena. Foram entrevistadas 1.460 pessoas em 23 estados e todas as regiões do país responderam as mais de 200 perguntas disponibilizadas em um questionário online. A coleta de dados foi executada em dois períodos, 20 a 25 de março e 15 a 20 de abril.

O levantamento sugere que houve um crescimento impressionante entre uma coleta de dados e outra. “A prevalência de pessoas com estresse agudo na primeira coleta de dados foi de 6,9% contra 9,7%, na segunda. Para depressão, os números saltaram de 4,2% para 8,0%. Por último, no caso de crise aguda de ansiedade, vimos sair de 8,7% na primeira coleta para 14,9%, na segunda coleta”, revela o professor Alberto Figueira.

Segundo a pesquisa feita em conjunto com o Dr. Matthew Stults-Kolehmainen, que atua no Yale New Haven Hospital, os casos de depressão subiram 90% no período de aproximadamente um mês. Já o índice de quem afirmou estar se sentindo mais ansioso ou estressado aumentou 80% nesse período.

As incertezas sobre como será o futuro após a quarentena são grandes fontes de nervosismo e perturbação. De acordo com os dados, as mulheres estão mais propensas que os homens a sofrerem com esses problemas. O estudo citou alguns outros fatores de risco, como alimentação desregrada, doenças preexistentes, falta de acompanhamento psicológico, sedentarismo e necessidade de sair de casa para trabalhar. 

O levantamento percebeu que as principais causas para a depressão são a idade avançada, o baixo nível de escolaridade e o medo de transmitir a infecção para pessoas do grupo de risco. A presença de idosos em casa também é um fator de peso, por serem mais vulneráveis, as pessoas acabam ficando com medo de um possível falecimento. 

A solução pode estar na ajuda de psicoterapia online. O estudo concluiu que os indivíduos que procuraram fazer sessões de terapia pela internet diminuíram os índices de estresse e ansiedade. A mesma coisa aconteceu com aqueles que praticaram exercícios físicos, eles tiveram um melhor desempenho que os entrevistados sedentários. Por isso, é muito importante não ter medo de procurar ajuda ou atividades que ajudem a lidar com esse momento. 

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