Botos Amazônicos: plataforma virtual busca ajudar na conservação desses animais

Projeto apresenta dados coletados por uma cooperativa de cientistas sul-americanos

Um grupo de cientistas sul-americanos disponibilizou dados aprofundados sobre os botos da Amazônia, através de uma plataforma chamada “Botos Amazônicos”. A iniciativa tem como objetivo auxiliar na preservação dos habitats e das populações destes animais existentes no continente, sendo eles: o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis); o boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis); o boto-boliviano (Inia boliviensis) e o boto-do-Araguaia (Inia araguaiaensis).

Os botos, ou “golfinhos de rio”, são animais cetáceos de água doce que estão no topo da cadeia alimentar e funcionam como indicadores da saúde dos ecossistemas, pois os locais onde esses animais estão presentes são habitats saudáveis que apresentam grande quantidade de peixes. A interferência humana é fonte de inúmeros problemas que ameaçam o ambiente e a existência das espécies, em razão disso, as pesquisas que integram a plataforma podem auxiliar em medidas de conservação e políticas públicas efetivas. 

O projeto foi elaborado por cientistas de cinco países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, integrantes do South American River Dolphins Initiative (SARDI), existente desde 2017. A equipe trabalha por meio de uma rede composta por especialistas e organizações ambientais, atuando com o apoio das organizações Whitley Fund for Nature (WFN), Fundação Segré, WWF e Fundação Omacha. 

A SARDI já desenvolveu ações como a implementação de pesquisas científicas coordenadas e cooperativas, identificação das maiores ameaças enfrentadas pelos botos, além de posicioná-los como como espécies-chave na conservação da Amazônia e Orinoquia (região geográfica da Colômbia e Venezuela, determinada pelas águas do rio Orinoco), entre outros. 

Conteúdo disponível

Dentro da Botos Amazônicos, os dados estão estruturados na forma de um mapa virtual, que pode ter a visualização ampliada ou reduzida, a fim de mostrar diferentes informações, além da possibilidade de selecionar filtros variados e especificar ainda mais a busca. O objetivo é ajudar ao máximo na busca do usuário por conhecimento.

A plataforma permite acessar informações de todas as expedições de campo feitas na América do Sul, incluindo a localização das Terras Indígenas dentro do bioma, os locais onde já foram feitas colheitas de material genético dos botos e onde eles têm sido contaminados com mercúrio, além das localizações de hidrelétricas que estão previstas para serem construídas na Amazônia.

O acesso é gratuito e capaz de orientar as autoridades para a tomada de decisões com segurança e respaldo científico, analisando os problemas existentes e quais medidas precisam ser tomadas para garantir a defesa dos botos amazônicos. Inicialmente, os conteúdos foram disponibilizados em inglês para possibilitar o acesso de um maior número de pessoas ao redor do mundo, porém, também existe um storymap com textos em português. 

Coleta de dados

Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisa do cooperativo SARDI realizaram inúmeras expedições pelas bacias dos rios brasileiros Amazonas e Tocantins-Araguaia, assim como do rio Orinoco, na Colômbia. Foram mais de 47 mil quilômetros percorridos em pelo menos 45 rios, lagos, canais e tributários, representando aproximadamente 48% da área de distribuição do boto boliviano, 19% do boto-rosa, 5% do boto do Araguaia e 52% do tucuxi.

A compilação de todos esses dados levou cerca de seis meses e parte do material coletado ainda está sendo analisado. Além disso, a plataforma é aberta e permite que instituições ou pesquisadores de fora compartilhem seus trabalhos sobre as espécies.

DEIXAR RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Por favor digite seu nome