A espécie que transmitiu o coronavírus para os humanos pode nunca ser descoberta

Animal funcionou como hospedeiro intermediário na transmissão dos morcegos até nós

Evidências recentes sugerem que um outro animal foi responsável por transmitir o coronavírus dos morcegos até os humanos. Segundo uma matéria da BBC, ele funcionou como um hospedeiro intermediário e os cientistas acreditam que nunca descobriremos qual sua espécie. Acreditava-se que a pandemia surgiu em um mercado que vende animais selvagens vivos na cidade de Wuhan, na China, mas a fonte do vírus, ou seja, um animal com o mesmo patógeno, não foi encontrado lá.

As feiras que vendem animais selvagens vivos são espaços ideais para doenças encontrarem novos hospedeiros, pois reúnem diversas espécies em pequenos espaços com péssimas condições de higiene. Os cientistas afirmam que esses locais facilitam a transmissão de doenças entre espécies, o que explicaria o aparecimento mais frequente dessas enfermidades nos últimos anos, já que a humanidade invade habitats selvagens constantemente, aumentando o contato com esses animais. 

Especialistas suspeitaram que espécies como os furões, minks e pangolins pudessem ser o hospedeiro intermediário, mas não houve comprovação de que algum deles estivesse envolvido nessa pandemia. Outros surtos de doenças por causas parecidas já aconteceram anteriormente, por isso, a maior parte dos especialistas vêm há anos levantando hipóteses de uma pandemia mundial como a que estamos vivendo hoje.

Ainda não existem estudos concretos sobre o Sars-Cov-2 que explicam de fato como esse processo aconteceu. Contudo, pesquisadores brasileiros descobriram que o vírus sofreu mutações específicas para chegar aos humanos. Estudando a arquitetura do novo coronavírus, eles perceberam que o vírus se adaptou com precisão até conseguir um “encaixe” para entrar e se reproduzir nas células de diversos mamíferos e populações humanas. 

Um receptor chamado ACE2 é a “barreira” de entrada da célula. Segundo David Robertson, um virologista da Universidade de Glasgow, o novo coronavírus consegue se encaixar no ACE2 com ainda mais facilidade que o Sars-1, vírus que foi responsável por um surto em 2003. Essa combinação perfeita pode explicar a facilidade com que o coronavírus é transmitido.

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